Norte do Paraná

Postado dia 08/05/2019 às 19:49:41

Fraudadores de concurso em Assaí têm ligação com deputado e advogado

Investigação conduzida pela Delegacia de Polícia Civil de Primeiro de Maio (PR) aponta proximidade do ex-deputado estadual Geraldo Cartário e do advogado Maurício Carneiro, de Londrina, com réus em ações que apuram fraude em concursos públicos de Assaí, Primeiro de Maio e Sapopema.

Durante diligências, em endereço atribuído à empresa Contec Consultoria e Assessoria, havia sido encontrado um envelope contendo a anotação "A/C Dr. Maurício Carneiro e/ou Michelle Bazzo - urgente". Já em 28 de setembro de 2009, em depoimento à Polícia Civil, o sócio da Contec, Eliel Nunes Araújo, esclareceu que se tratava de "um envelope velho que pegou quando trabalhava na Prefeitura desta cidade (Nova América da Colina), para colocar algumas fotos particulares, por ocasião de sua exoneração". Eliel disse ainda que conhecia o advogado Maurício Carneiro, desde a época em que prestava serviços na Prefeitura de Nova América da Colina. Segundo ele, outro sócio da empresa Contec, Arildo Rogério da Silva, também deve conhecer aquele advogado, já que Maurício Carneiro advogava e prestava serviço de assessoria nas Prefeituras da região.

Da mesma forma que Nova América da Colina, o advogado Maurício Carneiro também chegou a atuar na prefeitura e na Câmara de Vereadores de Assaí (legislatura 2005/2008). Concurso público organizado pelo Poder Legislativo assaiense em 2007 acabou anulado e suspenso pela Justiça. Já o certame de 2009 resultou em ação civil pública por improbidade administrativa, e continua ainda em tamitação.

Correligionários

Durante depoimento em 24 de agosto de 2009, na Delegacia de Polícia Civil de Primeiro de Maio, o então vereador Elenilson José Espanholo comentou que o proprietário da empresa Contec Consultoria e Assessoria, Arildo Rogério da Silva, "deixou escapar que trabalhava para o deputado Geraldo Cartário".

Contratada por meio de procedimento licitatório fradulento, a Contec Consultoria está envolvida em fraudes em realização de concursos públicos em Assaí, Primeiro de Maio, Sapopema e Santa Amélia, principalmente. Irregularidades envolvem o prévio direcionamento do procedimento licitatório a empresa pré-determinada (Contec) e a manipulação dos resultados, resultando na aprovação de candidatos igualmente pré-determinados.

Diante então do delegado Maurício de Oliveira Camargo, o então depoente Elenilson Espanholo relatou que o ex-vereador José Devaldo Pedrinelli traballhou durante pelo menos três campanhas eleitorais para o deputado Cartário e, coincidentemente, aquele parlamentar tem relação de parentesco com Sueli Mendes Anizelli, candidata aprovada no concurso público.

Segundo Espanholo, o candidato aprovado no certame Claudinei Chicarelli também pertence ao mesmo grupo político de José Devaldo Pedrinelli, que eram correligionários do deputado estadual Cartário.

Desde que assumiu seu primeiro mandado, em 1º de janeiro de 2009, Elenilson Espanho vinha cobrando que o então presidente da Câmara Municipal de Primeiro de Maio, Paulo Teodoro. para que "suspendesse esse concurso, porque o comentário geral era de que tudo era uma fraude, para contratar e legalizar pessoas certas, ou seja, "carta marcada", já se sabia aqueles que seriam aprovados".

De acordo com aquele edil, dos nove vereadores, seis eram "taxativamente" contra a realização daquele concurso. Inclusive Espanholo ressalta que se recusou a fazer parte de qualquer comissão relacionada àquele certame.

Elenilson Espanholo ainda disse ao delegado Oliveira que, diante da denúncia da fraude no concurso, da instauração do inquérito na Polícia Civil e da possibilidade de suspensão do concurso, o aprovado Claudinei Chicarelli, ex-vereador, passou mediantes gestos a ameaçar de causar mal à pessoa do presidente Paulo Teodoro.

Aquele concurso público irregular da Câmara Municipal de Primeiro de Maio rendeu ação civil pública por improbidade administrativa e ainda ação criminal.

Na esfera penal, os envolvidos foram denunciados por formação de quadrilha, dispensa irregular de licitação e pelo menos sete situações de falsidade documental (falsificação de documentos públicos e particulares e falsidade ideológica), além de um crime autônomo de falsidade ideológica.

PARA SABER MAIS:

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