Assaí

Postado dia 26/03/2013

Sócia da Contec reconhece fraude em concurso de Câmara e prefeitura

A sócia da Contec Consultoria e Assessoria S/S Ltda, Rosimeire Rogério da Silva, declarou ao Ministério Público do Estado do Paraná que “não prestaria um concurso realizado por este tipo de empresa para Prefeituras ou Câmaras”.

A afirmação de Rosimeire se dá em função de fraudes cometidas pela empresa Contec, que nos últimos anos realizou concursos para Câmara de Vereadores de Sapopema, Santo Antônio do Paraíso, São Sebastião da Amoreira, Santa Amélia, Primeiro de Maio e Assaí, além de prefeitura de Figueira.

Em depoimento à promotora de Justiça, Kele Cristiani Diego Bahena, do Núcleo Regional de Trabalho de Proteção ao Patrimônio Público do Norte Pioneiro, de Santo Antônio da Platina, em 23 de setembro de 2011, Rosimeire Rogério da Silva também citou que, “com relação ao concurso da Prefeitura de Santa Amélia a declarante sabe que houve fraude porque participou”.

Ela mesma teria recebido em sua casa o então prefeito Roderjan Inforzato “para pegar o número de gabaritos em branco correspondente ao número de pessoas que ele queria que passasse no concurso para que as mesmas assinassem os gabaritos e colocassem os seus números de inscrição; posteriormente a isso o prefeito devolveu os gabaritos assinados para que a declarante preenchesse os espaços em branco com o número de respostas corretas para que passassem na primeira fase”.

Concurso público realizado em 2009, em Primeiro de Maio, também resultou em ação criminal contra o presidente da Câmara, Fernando Shigueru Matsuki, e outras cinco pessoas, como o então vereador Claudinei Chicarelli, o ex-procurador jurídico Roberto Carlos Bueno, a ex-assessora legislativa Sueli Mendes Anizelli, e os representantes da empresa Contec Consultoria e Assessoria S/S Ltda, Rosemeire Rogério da Silva e seu irmão, Arildo Rogério da Silva.

Segundo declarações de Rosimeire ao Núcleo Regional do Ministério Público, em Santo Antônio da Platina, “que, com relação ao concurso da Câmara Municipal de Primeiro de Maio, a declarante se recorda que a pessoa que gabaritou e passou em primeiro lugar chamada Shicarelli (no caso, o então vereador Claudinei Chicarelli) antes da realização do concurso esteve na cidade de Abatiá com seu carro parado em frente a casa da declarante, tendo saído com seu irmão Arildo e passado o dia inteiro fora juntos; que a declarante acredita que seu irmão Arildo tenha vendido o gabarito para Shicarelli”.

Concurso público realizado em Assaí pela Contec, em 2009, também é objeto de ação civil pública movida contra os vereadores Sílvio Carlos Guadaguini e Waldenei Simôes, o Cebolinha, os ex-vereadores Paulo Cândido Monteiro e Léo Nilson Lopes (já falecido), servidores da Câmara e os responsáveis pela empresa organizadora do certame.

Principal irregularidade versa sobre o fato de que todos os atos administrativos daquele concurso aconteceram em 17 de fevereiro de 2009, como pedido para abertura do certame, parecer jurídico acerca da dispensa de licitação, sua aprovação por comissão de vereadores, resultado do certame, e inclusive ofícios apresentados pelas três empresas concorrentes (duas do Paraná – Contec e Arantes Assessoria - e uma de São Paulo) trazem aquela mesma data.

Em depoimento à promotora de Justiça, Kele Cristiani Diego Bahena, Rosemeire Rogério da Silva revelou que “em todas as licitações que a Contec participava a empresa Arantes também participava; que a declarante percebia que os dois combinavam de participar juntos das licitações, tanto que os dois chegavam em sua casa, sede da empresa Contec, com as propostas sendo que uma das propostas a declarante assinava e a outra o José Arantes assinava, inclusive havia carimbos, envelopes, timbre salvo no computador, crachá, todos da empresa Arantes para uso por parte de Arildo e Arantes conjuntamente”.

Segundo ainda seu depoimento, “após o preenchimento das propostas Arildo e Arantes entravam em seus respectivos carros e saiam com os documentos; que a declarante já chegou a trabalhar para a empresa de Arantes na realização de concursos; que sempre que uma empresa vencia havia um acordo que a outra empresa iria ajudar; que as provas de ambas empresas eram elaboradas em conjunto, tanto é que tinham questões idênticas nas provas da empresa Contec e da empresa Arantes; que sabe que justamente por esse motivo o caderno de provas não era liberado para os concursandos”.

PARA SABER MAIS:

Os fatos que comprovam que o concurso da Câmara de Assaí foi fraudado

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