Geral

Postado dia 31/07/2026 às 05:34:50

Do aeroporto lotado ao jato particular

No caminho para as Índias, descobri que precisava de paciência. Não aquela paciência zen, de monge tibetano, mas a paciência prática de quem encara conexões intermináveis, atrasos e bandejas de comida que parecem ter sido projetadas para testar a fé do viajante.

No caminho pela América Latina, percebi que precisava de coragem. Coragem para enfrentar filas que serpenteiam como anacondas, para encarar o olhar desconfiado do agente de imigração e para sobreviver ao café do aeroporto, que custa mais caro que o próprio bilhete. Entre check-ins, filas, e mais espera até de fato a àguia de alumínio voar, dá para ler "Os Lusíadas", de Camões, pelo menos cinco vezes.

Já no caminho para o Oriente Médio entre malas extraviadas e anúncios em três idiomas que ninguém entende, descobri que precisava de um jato particular. Afinal, nada como escapar das filas quilométricas e da sensação de que todos os passageiros resolveram viajar no mesmo dia e na mesma hora.

E por aí vai: diferentes rotas revelam novas exigências, e as escalas demonstram que o luxo não é capricho, mas pura sobrevivência. Quem diria que a globalização se resumiria a uma lista crescente de “preciso de…” — começando com paciência e terminando com asas próprias.


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