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Norte do Paraná
Postado dia 28/03/2026 às 04:05:30
Eleição 2028 em Assaí será momento de ruptura com o passado
Para uma cidade que perdeu mais de mil empregos nos últimos anos e ficou entre as de maior encolhimento populacional do país, a pequena Assaí, no Norte do Paraná, precisa encarar a eleição municipal de 2028 como um ponto de virada. Não dá mais para repetir o mesmo roteiro.
Ao longo da história, cada prefeito deu sua contribuição, para o bem e para o mal. Mas o que temos visto significa uma sucessão de paradigmas antigos que não resolvem os problemas estruturais. A atual administração, por exemplo, prometeu vários barracões industriais e centenas de empregos, mas se perdeu na vaidade, gastando excessivamente com uma ideia vaga de “Cidade Inteligente” que, na prática, não leva a lugar nenhum.
Cidade Inteligente significa outra coisa. Começa pelo básico que qualquer município de 15 mil habitantes precisa: acabar com áreas de favelamento, garantir 100% de cobertura de rede de esgoto e acesso universal à internet de qualidade, além de um projeto de arborização urbana de verdade - não só enfeite, como a recente revitalização da avenida Rio de Janeiro, mas qualidade de vida. E, junto com isso, fortalecer os pequenos negócios locais, porque deles vem a circulação de renda que aumenta o poder aquisitivo da população. Uma cidade que cuida do básico e fortalece seu próprio comércio atrai novos investimentos. Ninguém aposta em lugar onde o dinheiro não gira.
Tudo isso passa por um problema grave que Assaí enfrenta, como a fuga dos jovens. Quem termina o ensino médio aqui se vê entre ficar e estagnar ou sair e se qualificar fora. Reter talentos não se trata de convencê-los a ficar por apego; representa construir uma cidade onde fazer parte do mundo não exija partir. Isso exige articulação com universidades para polos de ensino a distância com suporte presencial, programas de primeiro emprego conectados aos pequenos negócios e uma aposta em áreas onde a interiorização é vantagem, não desvantagem.
A tecnologia - especialmente a inteligência artificial - também entra nessa conta, mas sem modismo. Para uma cidade pequena, IA não se constitui em comprar software caro. Quer dizer usá-la para otimizar a coleta de lixo, a manutenção de vias, a gestão de recursos escassos. Mostra-se capacitar pequenos comerciantes para usar ferramentas digitais de venda e gestão. Entende-se por preparar a rede municipal de ensino para que a IA seja aliada da criatividade, e não mais um instrumento de um ensino rígido e conteudista. A tecnologia, sozinha, não segura ninguém aqui. Mas uma prefeitura que a usa para melhorar serviços e abrir mercado para pequenos negócios mostra que Assaí também faz futuro.
Ruptura com o passado, no nosso caso, significa também abandonar certas práticas que já viraram vício. É difícil explicar como o mesmo secretariado se mantém por três décadas, atravessando governos de diferentes cores, como se o município fosse um feudo pessoal. Uma gestão de novo século precisa oxigenar esses espaços, trazer gente que não está no mesmo círculo há trinta anos, mas também não se mostra ingênua sobre como a máquina pública funciona.
Mas nada disso começa em 2028. Começa agora. Formar novas lideranças exige um esforço deliberado. Deve-se buscar jovens com interesse em gestão pública, apoiar sua qualificação, abrir espaço no debate para quem historicamente só é ouvido como “beneficiário” - pequenos empresários, agricultores familiares, profissionais da educação e da saúde que conhecem a ponta do sistema. Um caminho concreto passa por construir um fórum ou conselho de desenvolvimento municipal ainda antes da campanha, reunindo bairros, comércio local, coletivos culturais e trabalhadores rurais. Não para decidir quem vai ser prefeito, mas para construir juntos um diagnóstico e um programa mínimo. Assim, a disputa eleitoral não engole o projeto coletivo.
Justamente ao final da próxima gestão (2029/2032), Assaí completará 100 anos de emancipação política. Trata-se uma data simbólica. Depende de nós se ela vai marcar apenas mais um centenário com os mesmos vícios, ou se vai ser o momento em que a cidade decidiu, enfim, romper com o passado para construir algo diferente.




