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Política
Postado dia 06/10/2026 às 16:19:12
De Bolsonaro, Dr. Furlan, JHC, Lira a Moro: a família no poder
As eleições de outubro de 2026 escancararam uma prática antiga, mas que segue viva no Brasil: o uso da estrutura familiar como capital eleitoral. De norte a sul, esposas, filhos, irmãos e até ex-mulheres de políticos tradicionais foram lançados e, em muitos casos, eleitos. O sobrenome pesou nas urnas.
O CLÃ BOLSONARO: A MAIOR EMPRESA FAMILIAR DO CONGRESSO
Mesmo com Jair Bolsonaro preso e inelegível, a família conseguiu eleger quatro de seus oito candidatos em 2026.
Flávio Bolsonaro (PL) foi o nome escolhido para a disputa presidencial. Senador pelo Rio, chegou ao segundo turno contra Lula, obtendo mais de 47% dos votos. Carlos Bolsonaro (PL), ex-vereador carioca, foi eleito senador por Santa Catarina com mais de 2 milhões de votos. Já Jair Renan Bolsonaro (PL), o filho mais novo, conquistou uma vaga de deputado federal também por Santa Catarina, com mais de 131 mil votos.
No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL) foi a candidata mais votada ao Senado, com 29,05% dos votos. O irmão do ex-presidente, Renato Bolsonaro (PL-SP), também foi eleito deputado federal por São Paulo. A ex-mulher de Jair, Rogéria Bolsonaro, e o terceiro filho, Eduardo, não conseguiram se eleger.
MORO E ROSÂNGELA: O CASAL QUE ATUA EM DOBRADINHA
No Paraná, o senador Sergio Moro (PL) disputou o governo do estado ao lado da esposa, Rosângela Moro (PL). Ela, que já era deputada federal por São Paulo, trocou de estado e de partido para concorrer à reeleição na Câmara pelo Paraná. A campanha foi marcada por agendas conjuntas, com Moro votando acompanhado da esposa em Curitiba e defendendo publicamente a candidatura dela. Rosângela acabou eleita deputada federal pelo Paraná.
DR. FURLAN E RAYSSA: CASAL NO EXECUTIVO E NO LEGISLATIVO
No Amapá, o Dr. Furlan (PSD) foi eleito governador em primeiro turno com 62% dos votos. Sua esposa, Rayssa Furlan (Podemos), conquistou uma das duas vagas ao Senado pelo estado com 29,9% dos votos válidos. Médica dermatologista, Rayssa já havia sido primeira-dama de Macapá e secretária municipal durante a gestão do marido. O primeiro suplente dela é Neto Furlan, mantendo o sobrenome da família na chapa.
JHC E MARINA: A PRIMEIRA-DAMA VAI AO SENADO
Em Alagoas, o ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC (PSDB) foi eleito governador em primeiro turno com 52,2% dos votos. Sua esposa, Marina Antunes Candia e Figueiredo, conhecida por
Marina JHC (PSDB), também ex-primeira-dama da capital, foi eleita senadora com 28,2% dos votos. A chapa dela ainda tinha como primeira suplente a mãe de JHC, a ex-senadora Dra. Eudócia (PSDB). Marina assumirá seu primeiro cargo eletivo após uma trajetória construída à sombra do marido.
OUTROS CASOS PELO BRASIL
O fenômeno não se restringe a essas famílias. Em Goiás, Gracinha Caiado (União Brasil) foi eleita senadora, embalada pela popularidade do marido, o ex-governador Ronaldo Caiado. No Tocantins, o casal Eduardo Fortes e Kátia Chaves, ambos do Republicanos, conquistou duas vagas na Assembleia Legislativa, somando mais de 48 mil votos. No Ceará, pelo menos 13 dos 46 deputados estaduais eleitos têm vínculos sanguíneos com políticos tradicionais; entre os federais, Fernanda Pessoa (filha do prefeito de Maracanaú) e Erika Amorim (esposa do prefeito de Caucaia) foram eleitas. No Rio de Janeiro, o primo do deputado Vinícius Cozzolino, Renato Cozzolino, herdou uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Em Alagoas, o jovem Álvaro Lira (PP), de apenas 20 anos, herdou a vaga do pai, Arthur Lira, que foi eleito senador. Arthur também emplacou a irmã de um ministro e outros aliados.
UM PADRÃO QUE SE REPETE
A eleição de 2026 confirmou que o capital político familiar continua sendo uma das moedas mais valiosas da política brasileira. Em um país onde 39 candidatos chegaram a incluir menções a parentes no próprio nome de urna, o sobrenome ainda é o atalho mais curto — e mais eficaz — para o poder.




