Norte do Paraná

Postado dia 11/10/2020 às 16:17:19

Lobista Luiz Alberto Vicente ganha milhões com política e Justiça

Ao longo dos anos, o ex-vereador e ex-prefeito de Assai, Luiz Alberto Vicente, fez amigos nos mais importantes círculos da política e da Justiça paranaense.

A saga começou em 2004, depois de cumprir um mandato como vereador, e obter 746 votos, em eleição a prefeito vencida pelo empresário Michel Angelo Tuti Bomtempo, que obteve 5.544 votos.

Sem rumo e sem emprego, foi bater às portas do então deputado estadual Hermas Brandao, político com o qual sua família mantinha vínculos de longa data. A partir dai, Luiz Alberto aprendeu a ser lobista, e se tornou profissional da área.

Presença frequente no gabinete do então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Paranà, Hermas Brandão, o politico assaiense ligava para pessoas de seu interesse e, como contato para retorno, deixava o número do gabinete do deputado. Condição essa que lhe dava credibilidade e abria as portas.

O que o site Revelia divulga, aqui, representa, o que seu editor viu, presenciou e tem documentos para provar. Inclusive o próprio ex-prefeito já relatou na rede social da época em que mantinha contatos na Assembleia Legislativa e no governo do Estado, e o editor do Revelia ia junto.

Na história do lobista assaiense pesa ainda a participação no PSDB estadual, tendo acompanhado a trajetória de Beto Richa, desde a época de então deputado estadual, candidato derrotado ao governo, vice e prefeito de Curitiba e, finalmente governador por dois mandatos.

Na eleição municipal de 2016, em Assaí, Luiz dizia ser “da cozinha do governador”, tratando-se da proximidade com o poder estadual. Em vários encontros políticos, Beto Richa o referia como “Luizinho pra cá”, “Luizinho prá là”.

Na eleição estadual de 2010, apoiadores da campanha de Osmar Dias produziram material de campanha irregular em Assaí, daí após articulação do fiel escudeiro Luiz Mestiço, a coligação do então candidato a governador Beto Richa pediu na Justiça a busca e apreensão do jornal. Um dos responsáveis pela publicação, o radialista Devonir Custódio, acabou processado e condenado ao pagamento de multa. O mesmo Devonir Custódio, da rádio Studio FM, que, entre 2013 e 2016, recebeu vultosas quantias dos cofres públicos para fazer promoção pessoal do então prefeito Luiz e ataques a dezenas de adversários políticos seus.

Luiz chegar a afirmar que tinha controle da garagem do portão da casa de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. Em outro caso, mesmo não sendo parte em procedimento originário do Juízo da 35ª Zona Eleitoral de Assai, ele postou na rede social cópia da capa dos autos físicos, às vésperas de julgamento no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TR·-PR).

Atuando com profissionais do Direito, principalmente com o advogado Cláudio Nunes do Nascimento, ex-corregedor da Justica e ex-presidente do Tribunal de Justiça e ex-corregedor, ex-vice-presidente e ex-presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, Luiz tem ganhado dinheiro ao longo dos anos, conseguindo decisões favoráveis na Justiça e no Tribunal de Contas do Estado (TCE) em favor de seus clientes e amigos.

Luiz Alberto já defendeu interesses da família Khoury, de Londrina, Sperafico, de Toledo, de Muffato, de Cascavel, entre outros. Na ação judicial envolvendo o incêndio criminoso da empresa Embratec, em Assaí, os sócios e irmãos Khoury, de Londrina, livraram-se da prisão porque, propositadamente, funcionário do Tribunal de Justiça deixou de fora o nome de um dos réus na publicação do acórdão. Daí houve a prescrição do crime. Em etapa daquela ação, em segundo grau, atuou Claudio Nunes do Nascimento, de Curitiba, coincidentemente em feito originário de Assaí. Cidade essa que anos mais tarde, Nunes do Nascimento viera defender o ex-prefeito Luiz Alberto Vicente, que já declarou em rede social, tratar-se de um grande amigo.

O lobista Luiz também recebeu, em 2007, um veículo Jetta 0km, por ter logrado a liberação de um carregamento de madeira que estava apreendido no Porto de Paranaguá. Pouco tempo após a entrega daquele veículo, o ex-prefeito viajou a Maringá, para tratar com o advogado Alexsandro Reverte Quinteiro, sobre ação popular contra a gestão do então prefeito Tuti Bomtempo, que acabou julgada improcedente pelo Tribunal de Justica. Naquela viagem à Cidade Canção, Luiz esteve na companhia do editor do site Revelia.

Na campanha eleitoral de 2016, ao anunciar investimento que geraria 1.500 empregos diretos, Luiz Mestiço afirmara que os empresários teriam nome e sobrenome. Segundo ele, fazia parte do grupo dois conselheiros do Tribunal de Contas, um desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), procurador que atuava na Operação Lava Jato, entre outros empresários.

A época que não havia distribuição automática no Tribunal de Justiça, Luiz Alberto e seu grupo contavam com colaboradores a partir da seção de protocolo, para encaminhamento dos autos até desembargador de seu interesse. Contribuição vinha também de assessores que elaboraram as decisões para que desembargadores assinassem, as vezes mesmo sem ler, ainda no corredor, daí a utilização da expressão “decisão de joelho”.

Em 12 de marco de 2012, em período de pré-campanha eleitoral, o conselheiro do Tribunal de Contas, Durval Amaral, participou de ato de campanha do então candidato Luiz Alberto Vicente. Na ocasão, ao responder sobre o motivo de tal visita, Amaral relatou para a imprensa que, “convite que me fez o prefeito Mestiço que gostaria que eu viesse a Assaí para rever os amigos, para rever essa bela e pujante cidade de Assaí. E, automaticamente, eu não posso, até pelo relacionamento que eu tive com Mestiço enquanto ocupei a Casa Civil do Governo e ele a frente da Diretoria do DETO, quando fizemos uma grande amizade, um grande relacionamento".

Ainda durante sua gestão como prefeito, Luiz elaborou parecer jurídico falso em favor de Flávio José de Amorim, servindo de prova em ação penal, em grau recursal no Tribunal de Justiça, que o absolveu, revertendo o afastamento do cargo de motorista da prefeitura e possibilitando a eleição do correligionário a vereador.

Ele ainda usou sua influência no Tribunal de Contas para liberar a candidatura da então correligionária Alice Nagata, quando se juntava a seu palanque, em 2004, e barrá-la quando aquela estava ao lado do opositor Juan da Veipa, na eleição de 2012.

Atividades de lobista ajudam a explicar o motivo da evolução patrimonial, de R$ 3,3 milhões (2012), R$ 4,1 milhões (2016) e R$ 5,1 milhões (2020), além de outros bens em nome de laranjas.

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