Jacarezinho

Postado dia 22/11/2013

Jovem padre abandona sacerdócio e volta para casa da mãe

 

O padre Élmes Xisto Meira resolveu deixar o sacerdócio durante um ano.Ele estava trabalhando em Andirá e retornou para Jaguariaíva.O npdiario tentou contato com o religioso nas paróquias de Andirá e nas duas de Jaguariaíva, mas os telefones cedidos não respodem.
Meira,porém, deixou uma mensagem numa rede social,na qual revela perdoar pessoas que eventualmente lhe criticaram e manifesta fé na igreja Católica, mesmo com os erros que possa apresentar.
O que se sabe também é que o religioso de alto conceito tanto na diocese quanto entre os fiéis.
Embora diga ser um afastamento por um ano,parece nítido que será para sempre.A mensagem é transcrita abaixo:
Imaginei muitas vezes como iniciar este texto. Meditei citações bíblicas. Pensei em argumentos psicológicos. Busquei encontrar algum respaldo do CIC (Codex Iuri Canonici – Código de Direito Canônico). Sei que causará surpresa a muitos ao saberem que pedi, portanto, por minha própria vontade, o Afastamento de Ordem me ausentando do Ministério no prazo de um ano. E faço isso por que amo a Igreja Católica Apostólica Romana. 
Vivi inesquecíveis 11 anos como seminarista e fui considerado apto a receber as ordens do diaconato e do presbiterato. Durante todo esse tempo tive por meta fazer sempre o melhor ao meu alcance. Indiviso fiz meus estudos e consciente das dificuldades que seriam viver o sacramento da ordem fiz meu pedido de admissão.
Não entrei enganado no Ministério Sacerdotal e na liberdade pedi as ordens. 
Afirmo a todos que desejei ser um padre que “valha a pena” e “não que dê pena”.
Não tive falta de exemplos. Em nossa diocese conheci padres que labutam incansavelmente pelo Povo de Deus. E longe de ser maniqueísta percebi mais ainda que ao lado da luz havia também treva. Cristo havia dito que onde há trigo pode ser semeado o joio e eles crescem juntos (Mt 13,24-30). 
Não afirmo isso desse ou daquele sacerdote, apenas medito de que somos uma Igreja santa e pecadora.
Assim como Marcos regressou de uma missão e foi causa de discussão entre Paulo e Barnabé (At 15,36-40). Assim também pedi ao Senhor Bispo a suspensão. Não estou inteiro no sacerdócio... Cristo e seu povo não merecem um padre pela metade. Não quero ser morno (Ap 3,16). 
Um padre triste é um triste padre. Pensando no bem da Igreja humildemente peço a todos a compreensão de meu pedido. Abalizado pelo CIC de 1986 no cânon 291 minha perda do estado clerical não pronunciado pela Santa Sé em nada me exclui das obrigações dos conselhos evangélicos que todos devemos seguir, portanto, sacramentalmente serei padre para sempre. 
Meus verdadeiros amigos e minhas verdadeiras amigas estarão ao meu lado disso tenho certeza, pois entenderão que não deixo de seguir Jesus Cristo, não deixo de amar nossa Igreja Católica e ser devoto inquebrantável de Nossa Senhora. Que estarei à disposição naquilo em que puder ajudar. 
Sempre afirmei que nossa Igreja dever ser sorriso de Deus, meus irmãos e irmãs sorriam (Rm 12,12). Afirmei que temos que ser uma igreja de acolhida como o Pai da parábola da misericórdia (Lc 15,11-32). Afirmo ainda, meus irmãos e irmãs, que temos que viver a verdade, pois a verdade nos libertará (Jo 8,32). E verdade é essa que necessito me ausentar do ministério para melhor seguir nosso Senhor.
Não pensem que tomo essa decisão de maneira precipitada. Rezei muito nessa intenção. Apresentei isso inúmeras vezes ao altar do Senhor. Desde o início de 2013 busquei ajuda de padres mais experientes na caminhada sacerdotal. Iluminado por Monsenhor José Irineu que sempre me acolheu sendo um sinal de Jesus Cristo, optei por esse caminho. Encontrei em padre Heliton Ribeiro um Cristo Manso e Humilde de Coração que não me condenou, mas olhou-me com misericórdia. 
Sei que muitas pessoas talvez estejam magoadas ou tristes comigo agora, algumas sejam capazes de dizer palavras ásperas, peço indulgência e compreensão. Serei o mesmo Élmes, só não estarei no serviço específico do altar. 
Retorno para minha terra natal e espero encontrar em Jaguariaíva a compreensão do
Povo de Deus. Terei sempre as portas abertas do meu coração para aqueles que precisarem de um amigo. Infelizmente encontrei ao tomar essa decisão novamente o lado sombrio do coração humano, pessoas que inventam, em minha opinião por influência do maligno, histórias descabidas a meu respeito, para com essas pessoas peço o perdão de Deus.
Agradeço a todas as comunidades que me acolheram para o estágio pastoral e meus amigos e amigas que ai me conquistaram. Com carinho agradeço a amada cidade de Andirá onde fiz a experiência do sacerdócio... busquei fazer meu melhor nessa cidade, talvez meu melhor não foi suficiente, mas fiz o meu melhor assim mesmo, afinal ao ter contato com o povo eu sempre sorria e buscava animá-lo, pois ninguém merecia receber minhas frustrações. Se ajudei alguém que Deus seja louvado, se magoei alguém que me perdoe. Não levo magoa e nem rancor de ninguém, apenas mais sincero carinho e continuarei a rezar por todos que pediram e contam com minhas preces.
Por fim, quero agradecer a todos os sacerdotes que sempre me ajudaram, padre Adão Pires e padre Marcos Maciel. Agradeço aos padres que não se lançaram em fofocas ao Povo de Deus e deixaram eu dar notícia de meu afastamento. De maneira especial a Padre Marcos Ribeiro e Padre Rosivaldo Lopes meus estimados irmãos e companheiros de caminhada, quando precisei de vocês dois estiveram prontos a me darem as mãos.
Que Deus abençoe meus acertos e em sua misericórdia corrija meus erros. Amém.

 

 


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