Política

Postado dia 25/10/2026 às 21:06:15

Da dificuldade de transporte de eleitores em 2022 e em 2026

De forma inédita, decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorroga a votação em todo o território nacional até 19 horas, na disputa de segundo turno nesse domingo, 25 de oububro.

O Partido dos Trabalhadores, do presidente Lula (PL) havia pedido ampliação do horário, argumentando a diminuição da circulação de ônibus e outras modalidades de transporte em massa em diversas regiões do país, especialmente nas capitais de São Paulo e Bahia.

Já a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também pediu extensão ao TSE, mas restrita a cidades de Minas Gerais e Rio Grande do Sul afetadas por chuvas e quedas de energia - em contraste com a demanda nacional do PT.

O presidente Lula considerou como "banditismo", "sacanagem" e "mau caratismo" de prefeitos, a falta de ônibus registrada em cidades baianas e em São Paulo. Ou seja, uma atitude deliberada da oposição bolsonarista para prejudicar o transporte de eleitores, principalmente em regiões onde Lula teria maiores percentuais de votos que Flávio Bolsonaro. Inclusive o presidente do TRE-BA (Tribunal Regional Eleitoral da Bahia), desembargador Maurício Kertzman Szporer, acabou por prisão em flagrante de Pablo Souza, secretário municipal de Mobilidade de Salvador, por causa da redução da frota de ônibus durante o segundo turno das eleições.

Ação orquestrada?

Também nas eleições gerais de 2026, houve denúncia de atuação do aparato oficial para prejudiciar a votação principalmente no Nordeste do país. Polêmica envolvia a realização de diversas das blitzes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) supostamente com o intuito de atrasar o deslocamento de eleitores, naquela região onde Lula (PL) teria maior vantagem em relação ao então candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL).

Na época, o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, afirmou que todos os eleitores conseguiram chegar às seções dentro do prazo, embora a campanha de Lula tenha denunciado tentativa de boicote. A PRF realizou mais de 500 operações de fiscalização em ônibus até as 12h35 daquele dia, descumprindo uma ordem judicial que proibia abordagens a veículos de transporte público de passageiros.

A concentração das fiscalizações no Nordeste - 2.185 ônibus abordados na região contra 571 no Sudeste entre 28 e 30 de outubro - levantou suspeitas de direcionamento político, e o caso acabou incorporado às investigações sobre a trama golpista. O então diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, foi posteriormente condenado a 24 anos e 6 meses de prisão por envolvimento na tentativa de manter Jair Bolsonaro no poder após a derrota nas urnas. A atuação da corporação naquele segundo turno tornou-se o precedente que levou o TSE a editar, em 2026, regras mais rígidas proibindo blitzes sem comunicação prévia à Justiça Eleitoral em dias de votação.


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