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Postado dia 15/10/2026 às 17:25:58

Lula: “coleta de lixo não é uma profissão que desperte orgulho”

Criou-se grande celeuma e polêmica em torno de discurso do presidente e candidato à reeleição Luis Inácio Lula da Silva (PT). Em meio a uma disputa eleitoral bastante polarizada, restou então aos adversários a exploração de trecho daquela fala. Sob tal perspectiva, Lula teria dito que, “quando eu passo na rua e eu vejo aquelas pessoas que trabalham colhendo lixo, é uma profissão muito pobre, porque não é uma profissão que dá orgulho".

Certamente todo trabalhador merece respeito, inclusive os profissionais da limpeza urbana, que muitas vezes permanecem invisíveis. Contudo, considerando atuais condições, pode-se dizer que, de modo geral, atuação como gari “não é uma profissão que dá orgulho". Para a esmagadora parcela da população brasileira, a afirmação “quero ser coletor de lixo quando eu crescer” não é algo que deixaria qualquer pai ou mãe orgulhoso.

Não se trata de esnobismo, mas de realidade: salários baixos, esforço físico intenso, falta de equipamentos adequados, ausência de itens de proteção individual, uso de caminhões abertos ou improvisados, manuseio de lixo com as mãos nuas e a necessidade de correr atrás dos veículos para recolher sacos — tais condições estão muito distantes do conceito de “trabalho decente”.

Exploração da falta do presidente da República, de forma distorcida, por parte da campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL), inclusive rendeu questionamento perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Corte Eleitoral decidiu enntão derrubar publicações do Partido Liberal que descontextualizou a declaração do presidente, que defenderia a ampliação de políticas públicas e sociais para filhos dos trabalhadores da limpeza urbana.

Dessa forma, em tempos de fake news e manipulação do discurso, o eleitorado brasileiro perde a oportunidade de debate acerca das condições reais desses trabalhadores e a necessidade urgente de investimento em tecnologias que aumentem a produtividade e reduzam o desgaste e o cansaço físico. Perde-se, ainda, a chance de coletivamente se questionar por que, em setores como a limpeza urbana, a construção civil e tantas outras áreas de baixos salários, a economia com equipamentos tecnológicos continua sendo substituída pela força humana. Afinal, atentar-se à fala de Lula sem discutir a realidade dos garis é trocar o essencial pelo acessório - e manter invisível quem deveria se posicionar no centro do debate.

 

Enquanto isso na Alemanha:


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