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Postado dia 17/06/2019 às 21:21:37

Projeto usa caixas de leite para cobrir frestas em casas de madeira

Há quase três anos, um projeto solidário faz a diferença na vida de pessoas que vivem em comunidades vulneráveis de Curitiba e Região Metropolitana. É o Brasil sem Frestas, que já ajudou 116 famílias a terem um pouco mais de conforto usando apenas caixas de leite.

Funciona assim: as caixas chegam como doação, os voluntários limpam as que ainda estiverem sujas, separam por tamanho e modelo, cortam e costuram umas nas outras, formando placas de revestimento.

Essas placas servem para cobrir frestas em casas simples, muitas vezes de madeira, protegendo as famílias do vento, da chuva e até mesmo de animais peçonhentos, que costumam entrar nas casas por esses buracos. As placas são fixadas nas paredes e no teto por meio de grampeadores de pressão.

A coordenadora do projeto em Curitiba é Tânia Maria Machado Ribas. Ela conta que ampliou e reformou a garagem da sua própria casa, no bairro Tingui, para transformá-la em um espaço de encontro dos voluntários.

Os encontros para cortar e costurar as caixinhas de leite acontecem toda segunda-feira à tarde na garagem da casa da Tânia. — Foto: Reprodução/Facebook. 

Rede do bem 

Segundo a coordenadora, cerca de 160 pessoas estão envolvidas no projeto, tanto direta quanto indiretamente. “Tem gente que vem cortar e costurar as placas, gente que doa materiais, gente que divulga. Somos uma rede”.

Para Tânia, o diferencial do Brasil sem Frestas são os voluntários, que trabalham com vontade e com muito amor. “A gente se tornou uma família, um grupo de amigos que busca fazer o bem para quem precisa”, afirma.

Sandra Ferrarini, que é voluntária do projeto há um ano, confirma.

Tânia não sabe de cabeça o nome de todas as comunidades que o Brasil sem Frestas já atendeu, porque foram muitas. Mas ela não hesita em responder o que mudou na sua vida desde que começou esse trabalho: tudo.

A mesma mudança aconteceu com Sandra. “Eu percebi que o pouco que a gente faz já ajuda muito essas famílias. Eu acredito que ações assim são importantes pra que eles saibam que ainda existem pessoas boas no mundo, pra que eles não percam a esperança”, afirma.

Os voluntários do projeto se dividem em dois grupos: os que visitam as casas às quintas-feiras e os que vão aos sábados. — Foto: Reprodução/Facebook.  

Dificuldades 

Para que o projeto possa atender uma casa, é preciso que uma pessoa que conhece os moradores faça a mediação com os voluntários. “Precisamos que alguém nos coloque na comunidade, não podemos só chegar. Por isso preciso que me indiquem casas”, diz a coordenadora.

Ela conta que essa é a maior dificuldade do trabalho. “Quando fazemos a casa de uma família, a comunidade começa a confiar em nós e podemos fazer outras. Eles precisam saber que não estamos ali para investigar a vida deles, mas para ajudar”, explica. 

Como ajudar 

Quem deseja colaborar com o Brasil sem Frestas pode levar caixas de leite limpas até um dos pontos de coleta; os endereços estão disponíveis no site. Também é possível doar roupas para o bazar do projeto - que acontece em média a cada três meses. Os materiais aceitos também estão listados no site.

Placas de revestimento ajudam a proteger as famílias do vento e da chuva. — Foto: Reprodução/Facebook. 

Multiplicadores 

O Brasil sem Frestas existe desde 2009 e começou em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, a partir da iniciativa da química Maria Luisa Camozzato. Hoje, o projeto existe em 24 cidades, distribuídas em sete estados do país.

do G1

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