Norte do Paraná

Postado dia 13/10/2020 às 19:25:44

Eleição 2020: rico ou pobre, mas precisa de algo mais

Há uma tendência natural do eleitorado escolher candidatos bem sucedidos financeiramente, de família tradicional, que goza de status na sociedade, porque geralmente as pessoas querem se associar aos fortes e poderosos.

A cada eleição então, como forma de apresentar à população um novo paradigma, determinados candidatos se colocam como o legitimo representante do povo trabalhador. Defendem ser o porta voz dos pobres e oprimidos, em um discurso do “nós contra eles”, da “elite contra o povo”.

Inclusive historicamente nomes advindos das camadas mais inferiores se colocam à disposição das urnas, com o apelo de que “sou igual a você”, “serei seu legitimo representante”. No entanto, se houvesse cota para candidatos pobres para prefeito e vereadores não bastaria tão somente tal situação econômica. O postulante à vaga precisaria de algo a mais, e isso tem a ver com o mérito individual.

Na eleição de 2016 em Assai, a candidata Juliana da Silva, a borracheira, obteve a maior votação da historia da cidade. Os 928 votos não vieram simplesmente por causa de sua origem humilde. O êxito de Juliana Borracheira se explica pela ideia que apresentava, de mulher, de família,forte, de dona de casa, capaz de executar atividades desempenhadas por homens. Video mostrando a atuação em seu local de trabalho ajudaram a consolidar tal ideia.

Assim como o eleitorado em geral, a maioria dos candidatos também não conta com condições financeiras favoráveis. Da mesma forma que poucos consumidores adquirem produtos por causa de suas especificações técnicas, também o eleitor faz uma escolha emocional, vota em nomes por causa de uma ideia, valor e imagem que cada postulante ao cargo representa.

O pobre não votará simplesmente em candidato com a mesma situação econômica que a sua, apenas se aquele lhe servir de inspiração, de modelo a seguir, se apresentar uma história de superação, por exemplo. Caso contrário, a inveja irá atrapalhar a decisão de voto.

Motivo é que, quando o candidato apenas se coloca como pobre, dá a ideia de que simplesmente precisa do voto. E o voto não é para quem precisa, e sim para aquele que merece. Por isso, o candidato precisa de algo a mais, de diferente.

Da história das lideranças políticas que vieram da parte mais baixa da pirâmide social, extrai-se como fator comum para o sucesso a ideia, a imagem, que ficou no imaginário popular, na mente do eleitorado.

Em cada eleição então, cada candidato deveria se perguntar: por que a população votaria em mim? O que eu represento para a sociedade?


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