Política

Postado dia 28/12/2018 às 14:38:48

Deputada eleita Mabel Canto pretende doar 50% do salário

Deputada estadual eleita afirma que fará parte da base do governo, mas terá postura independente e compromisso somente com quem a elegeu.

As eleições de outubro colocaram novamente a família Canto na Assembleia Legislativa do Paraná. Oito anos após a atuação do ex-deputado Jocelito Canto, agora é a vez de Mabel Canto (PSC), filha do apresentador, assumir uma cadeira em Curitiba. Vencedora da única eleição que disputou, a deputada se vê preparada para representar os eleitores no Legislativo estadual.

Apesar de aliada de Ratinho Junior (PSD), Mabel afirma que não tem amarras com o governo e que seguirá uma atuação independente, com foco em atender as demandas daqueles que confiaram o voto durante as eleições.

Na campanha, uma dos compromissos da deputada foi de receber somente 50% do salário, doando ou devolvendo a outra metade. Prestes a assumir o posto, Mabel garante que chegou à conclusão: o restante do benefício será destinado às instituições de caridade da região, como forma de ajudar ainda mais os Campos Gerais.

A deputada também garante que irá participar do processo eleitoral em 2020, mas de forma indireta – ou seja, sem concorrer a nenhum cargo eletivo. No entanto, de acordo com Mabel, o momento é de focar no mandato em Curitiba e somente depois pensar nas eleições municipais. 

 

Jornal da Manhã: A deputada trabalhou com algumas propostas de transparência e gestão de dinheiro público durante a campanha. Como aplicá-las na Assembleia?

Mabel Canto: Entre os compromissos que assumi para garantir a total transparência está o de manter um site na internet para prestação de contas. Pretendo divulgar tudo que tiver sendo utilizado de dinheiro público na minha gestão. Já vou receber apenas metade do salário. Além do Portal [da Transparência], pretendo mostrar meus gastos de maneira ainda mais clara e acessível no meu próprio site. Também já fiz uma prestação de contas por lá que é bem mais rigorosa que a mostrada pelo TSE. Então pretendo aplicar desta forma: mostrando transparência nos meus gastos, cortando meu salário pela metade e mostrando a destinação para quais instituições estarei enviando meu salário.

 

JM: Então ficou definido que metade do seu salário irá para instituições de caridade? Porque ainda havia dúvidas se o dinheiro seria devolvido ou doado.

Mabel: Sim, ficou definido. É uma forma de ajudar a região, já que têm bastante entidades precisando. A cada mês vamos escolher três ou quatro instituições, ver o valor que precisam e fazer esta destinação. Meu trabalho será nesta linha. Vou buscar pautar as ações nesta busca pela fiscalização, que acredito ser muito importante. Vou estar de olho nos gastos não só da Assembleia, mas do Judiciário e do Executivo também.

 

JM: Por ser novata em cargos eletivos, você teme alguma crítica que possa receber por conta dessa ‘falta de experiência’?

Mabel: Eu tenho dito que estou indo muito tranquila para a Assembleia. Isso é fruto de uma preparação que tive ao longo dos anos que acompanhei meu pai, vendo ele trabalhar... É uma maneira de política que eu também quero fazer. Me sinto tranquila para chegar na Assembleia. É claro que críticas irão surgir, ninguém agrada a todos. Mas me sinto bem preparada, tanto tecnicamente quanto politicamente, para assumir o cargo. Estive ao lado do meu pai por muitos anos, andando pelos bairros e sabendo da realidade do povo, principalmente em relação às reais necessidades da população.

 

JM: Logo após as eleições, percebemos um esforço da deputada no sentido de conhecer a estrutura dos órgãos do Estado na região. Essa ação gerou alguma conclusão?

Mabel: [A conclusão é] Que tenho muito trabalho pela frente (risos)! Mas é isso mesmo. De todos os órgãos da regional, o principal problema que notei foi a falta de pessoal. E essa é uma situação muito complicada, pois seria necessária a abertura de concursos públicos justamente em um momento que o novo governo quer enxugar a máquina. Temos que achar um meio termo e batalhar por isso. Tem sim que enxugar a máquina, mas ao mesmo tempo é necessário ter pessoal trabalhando. Cada regional tem seus pontos e demandas, e o balanço que eu faço é que tenho bastante trabalho. Estive conversando com os outros deputados, que se mostraram bem engajados para solucionar essa situação de falta de profissionais.

 

JM: A deputada já afirmou que irá fazer parte da base de governo de Ratinho Junior em Curitiba. O que acha da escolha de Hussein Bakri (PSD) para liderar os deputados aliados ao futuro governador?

Mabel: Eu vi o Bakri umas duas vezes. Conversei rapidamente com ele. Me parece que é um grande companheiro do Ratinho [Junior] e que foi escolhido por ser uma pessoa bem companheira e alinhada com o plano de governo. Não posso dizer como é o estilo dele porque não o acompanhei durante o último mandato. É a escolha do governador. O líder do governo está ali para defender as ideias e fazer a ponte entre o Executivo e a Assembleia. É importante dizer que vou ser membro do governo, mas estou ali para defender os meus pontos de vista independentemente de qualquer coisa. Não tenho compromisso com ninguém, somente com a população que me elegeu. Sou ‘governo’ porque fiz campanha para o Ratinho [Junior] e temos mais ou menos a mesma linha. Ele quer cortar despesas no governo e eu vou fazer isso também. Quero ser parceira dele, mas vou votar pelos interesses de quem me elegeu.

 

JM: Além da deputada em Curitiba, temos também uma deputada federal (Aline Sleutjes) representando a região em Brasília. Você acha que a representatividade feminina tem tudo para ganhar ainda mais força a partir de agora?

Mabel: Tanto eu quanto a Aline estamos bem empenhadas no sentido de fazer uma nova política. Acompanhei o pós-eleição dela, a gente conversou e vejo uma mesma linha de pensamento, de construir metas pensando nas mulheres. Acho que ainda é muito pequena a representatividade, mas a eleição mostrou que as mulheres estavam mais engajadas e conversando mais sobre política. Antes esse assunto era conversado só entre homens, mas vi muitas mulheres opinando durante o ano. Acho que isso fortalece a mim e a própria Aline, porque mulheres vão estar debatendo sobre os assuntos importantes. E eu pretendo buscar muito a opinião delas para construir uma base, um projeto que farei logo após assumir. Será um grupo de mulheres que estarão pensando em leis e em programas responsáveis por beneficiar todos os paranaenses. Então acredito que ganhamos, mas a representatividade ainda é pequena. Conseguimos um avanço histórico com um representante em cada esfera, mas ainda é pouco.

 

JM: Recentemente houve uma reunião do PSC com todos os deputados eleitos. Você e seu pai já disseram que não devem concorrer à prefeitura e isso já parece bem claro. Mas p partido a procurou para coordenar algum movimento na cidade buscando as eleições municipais? Ou o assunto ainda não foi tratado dentro da sigla?

Mabel: Não tratamos sobre o assunto de organização do partido no âmbito municipal. Estive em uma reunião com os deputados, mas foi mais uma despedida aos que estavam saindo e as boas-vindas aos que chegam. Foi para conversar sobre a Assembleia, fazer um balanço com as perspectivas de cada um... Uma conversa mais informal, de recepção e despedida.

 

JM: Mas você pensa em trabalhar com a estruturação do partido para as eleições municipais?

Mabel: Ainda acho cedo para falar sobre eleições municipais. Meu foco é o meu mandato. Vamos participar da eleição, é claro. Mesmo não sendo candidata. Fiz isso como cidadã e não vou deixar de fazer como representante. Mais ainda não tem nada sendo discutido sobre o assunto e acredito que seja cedo para tomar algum posicionamento.

do Jornal da Manhã

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