Política

Postado dia 18/10/2026 às 22:17:47

Onda de direita elege jovens novatos para a Câmara Federal

As eleições de 2026 consolidaram um movimento que vinha sendo desenhado desde 2013: a direita, sobretudo o PL, transformou influenciadores digitais em candidatos competitivos e elegeu uma bancada jovem sem experiência prévia em cargos eletivos. Dados do Monitor Jovem DX mostram que 45 dos 59 eleitos com até 29 anos para a Câmara e assembleias legislativas (76,3%) são de direita. O fenômeno não é isolado: quatro novatos chamaram atenção pela votação expressiva e pela capacidade de converter audiência nas redes em capital político.
 
Julia de Castro (PL-RJ) é o retrato mais emblemático dessa onda. Aos 24 anos, a historiadora nascida na Baixada Fluminense nunca havia disputado uma eleição, mas conquistou 103.880 votos e se tornou a deputada federal mais jovem do Rio de Janeiro, superando veteranos como Jandira Feghali e Glauber Braga. Com 447 mil seguidores no Instagram, Julia construiu sua base expondo hostilidades por ser eleitora de Bolsonaro e, depois, atuando no PL Jovem. Sua campanha recebeu R$ 500 mil da direção nacional do partido, o equivalente a 84% do total arrecadado.
 
Lucas Pavanato (PL-SP), de 28 anos, bateu o recorde de votação para deputado federal em São Paulo: mais de 3 milhões de votos. Com 5,6 milhões de seguidores no Instagram, ele é apontado como um dos principais beneficiados pela rede de padronagem digital de Nikolas Ferreira, que ajuda a catapultar nomes já com audiência própria.
 
André Fernandes (PL-CE), também de 28 anos, foi o mais votado do Ceará, com 684 mil votos. Ele reunia 3 milhões de seguidores e integra o grupo de jovens de direita que combinaram visibilidade nas redes com apoio de lideranças e estrutura partidária para se eleger.
 
Eduarda Campopiano (PL-SP), de 23 anos, alcançou quase 2 milhões de votos para a Assembleia Legislativa de São Paulo, mesmo com um financiamento menor (R$ 725 mil) em comparação a outros candidatos jovens. Ela também é citada como parte da rede de influência de Nikolas Ferreira no ecossistema da jovem direita.
 
De acordo com especialistas, o sucesso desses novatos não se explica apenas pelo dinheiro investido por seus partidos políticos ou pelas redes sociais. A combinação de audiência digital prévia, financiamento partidário, apoio de padrinhos políticos e capital familiar foi decisiva. O PL elegeu 17 dos 57 candidatos jovens que lançou (cerca de 30%), enquanto o PT teve êxito em 8 de 43 (18%).
 
Para a pesquisadora Beatriz Besen, a direita soube articular “visibilidade, apoio de lideranças e estrutura partidária” como nenhuma outra sigla. Ainda assim, ela pondera que a juventude não é homogeneamente de direita e que as identidades políticas desse grupo seguem em disputa, com muitos jovens navegando entre posições progressistas e conservadoras.

Veja Fotos


comente esta matéria »

Copyright © 2010 - 2026 - Revelia Eventos - Cornélio Procópio - PR Desenvolvimento AbusarWeb.com.br