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Política
Postado dia 10/10/2026 às 16:56:09
A diáspora bolsonarista: quem deixou o campo e não se reelegeu em 2026
Enquanto o PL consolida a maior bancada do Congresso e disputa a Presidência no segundo turno, os dissidentes do bolsonarismo enfrentaram derrotas eleitorais expressivas nas urnas
O Partido Liberal (PL) emergiu das eleições de 2026 como a principal força política do país. O partido elegeu 121 deputados federais, a maior bancada da Câmara, e 19 senadores, somando 28 cadeiras na Casa Alta a partir de fevereiro. Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos e disputará o segundo turno contra Lula. O partido também elegeu cinco governadores já no primeiro turno — Sergio Moro no Paraná, Jorginho Mello em Santa Catarina, Luciano Zucco no Rio Grande do Sul, Marcos Rogério em Rondônia e Arthur Henrique em Roraima. No Distrito Federal, a sigla conquistou as duas vagas ao Senado com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, que se juntam a Damares Alves, formando a primeira bancada 100% feminina da história do Senado.
Em contraste com esse cenário de força, políticos que em algum momento integraram o campo bolsonarista e dele se afastaram não tiveram o mesmo destino eleitoral. Soraya Thronicke e Otoni de Paula são os casos mais emblemáticos dessa diáspora em 2026. Soraya, eleita senadora por Mato Grosso do Sul em 2018 com apoio de Bolsonaro e que chegou a ocupar a vice-liderança do governo no Congresso, migrou para o PSB e declarou apoio a Lula. Tentou a reeleição e ficou em quarto lugar, com apenas 13,07% dos votos. Otoni de Paula, ex-vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara, rompeu com o bolsonarismo e apoiou Lula em 2026. Sua votação despencou de 158.507 votos em 2022 para 19.364 votos, uma queda de 87,8%, ficando apenas como suplente.
Outro caso é o ex-deputado federal Julian Lemos (PP), na Paraíba. Eleito em 2018 com 71.899 votos, em meio à ascensão do bolsonarismo, Julian rompeu posteriormente com Bolsonaro e se aproximou do campo petista. Em 2022, recebeu 36.530 votos e, nas eleições de 2026, obteve 17.306 votos, equivalentes a 0,72% dos votos válidos, ficando como suplente. O resultado representa uma redução de aproximadamente 76% em relação à votação de 2018.
Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação de Bolsonaro, também tentou sobreviver politicamente após se distanciar do campo bolsonarista. Candidatou-se a deputado federal por São Paulo em 2022 e obteve apenas cerca de 4 mil votos, não conseguindo se eleger. Em 2026, não há registro de que tenha conseguido reverter esse quadro eleitoral.
O caso de Sergio Moro é distinto. Ele rompeu com Bolsonaro após deixar o Ministério da Justiça, mas não apenas sobreviveu politicamente como prosperou. Em 2022 foi eleito senador pelo Paraná. Em 2026, deixou o Senado para disputar o governo do estado e venceu no primeiro turno com 50,10% dos votos, sendo eleito governador pelo PL. Moro é hoje uma das principais lideranças do partido de Bolsonaro, tendo participado de reunião com governadores eleitos em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Já Joice Hasselmann, Alexandre Frota e Janaina Paschoal sofreram derrotas eleitorais em 2022, após romperem com o bolsonarismo. Joice, eleita deputada federal por São Paulo em 2018 com mais de 1 milhão de votos, tentou a reeleição em 2022 e obteve apenas cerca de 13 mil votos. Alexandre Frota, eleito deputado federal em 2018 com mais de 155 mil votos, rompeu com Bolsonaro em 2019 e em 2022 tentou uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo, recebendo cerca de 24 mil votos, insuficientes para se eleger. Janaina Paschoal, a deputada estadual mais votada da história do Brasil em 2018 com mais de 2 milhões de votos, candidatou-se ao Senado por São Paulo em 2022 e ficou em quarto lugar, com cerca de 447 mil votos.
O contraste é evidente. Enquanto o PL consolida sua hegemonia com votações recordes — Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP) ultrapassaram a marca de 3 milhões de votos cada, algo inédito na história do país —, os que deixaram o campo bolsonarista enfrentaram o ocaso eleitoral. A força do bolsonarismo nas urnas em 2026 não apenas se manteve como se ampliou, e aqueles que apostaram no distanciamento pagaram um preço político severo nas urnas.




