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Política
Postado dia 07/03/2026 às 13:48:49
Banco Banestado, a fraude de bilhões que ficou por isso mesmo
Envolvendo figuras do alto escalão da política nacional, do Poder Judiciário e do empresariado, a fraude bilionária do banco Master tem todos os ingredientes para terminar em uma grande pizza. Um dos exemplos para desconfiança geral é o que aconteceu com o Banco do Estado do Paraná (Banestado).
O escândalo das contas CC5 da instituição paranaense revelado no fim dos anos 1990, expôs um esquema bilionário de evasão de divisas que movimentou até US$ 30 bilhões para o exterior. A CPI instaurada em 2003 apontou políticos, empresários e autoridades como Celso Pitta, Paulo Maluf, Gustavo Franco, fundador das Casas Bahia, Samuel Klein, ex-governador do Paraná e dirigente do Banco Araucária, Jaime Canet, além de doleiros como Alberto Youssef e Dario Messer, que operavam as remessas ilegais.
O esquema utilizava centenas de "laranjas" - pessoas interpostas, muitas sem capacidade financeira, em cujos nomes as contas eram abertas para ocultar os verdadeiros titulares do dinheiro. Apesar da gravidade, apenas alguns dirigentes do banco e operadores financeiros foram condenados, enquanto a maioria dos nomes de peso permaneceu sem responsabilização.
A privatização do Banestado em 2000, vendida ao Itaú por R$ 1,625 bilhão, durante a gestão Jaime Lerner, também trouxe outro prejuízo: o governo do Paraná havia assumido dívidas e precatórios antes da venda, oferecendo ações da Copel como garantia. A inadimplência levou a uma disputa judicial que se arrastou por quase duas décadas, elevando a dívida a R$ 4,5 bilhões e só encerrada em 2023 com acordo de R$ 1,7 bilhão.
O Banestado simboliza então a combinação de má gestão pública e corrupção sistêmica. Eis um banco vendido com prejuízo bilionário e um esquema de lavagem de dinheiro que envolveu figuras do alto escalão político e empresarial, mas terminou praticamente em impunidade.




