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Postado dia 28/08/2025 às 16:47:31

Megaoperação contra crime organizado revela esquema bilionário no Paraná e em outros sete estados

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (28) uma das maiores operações de combate ao crime organizado da história do país, com destaque para o estado do Paraná, onde foi identificado um dos núcleos mais sofisticados de lavagem de dinheiro ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Batizada de Operação Tank, a ação no Paraná teve como alvo uma rede criminosa que atuava desde 2019, movimentando mais de R$ 23 bilhões por meio de postos de combustíveis, distribuidoras, holdings e instituições de pagamento. Segundo a PF, pelo menos 46 postos em Curitiba estavam envolvidos em práticas como adulteração de gasolina e a chamada “bomba baixa”, em que o volume abastecido é inferior ao indicado.

Além do Paraná, a operação se estendeu por São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, totalizando mais de 350 alvos. Foram cumpridos 14 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão, com bloqueio de bens de 41 pessoas físicas e 255 jurídicas, somando uma constrição patrimonial superior a R$ 1 bilhão.

As ações foram coordenadas com outras duas operações simultâneas - Quasar e Carbono Oculto - que miraram esquemas de lavagem de dinheiro via fundos de investimento e fraudes fiscais. A operação Quasar identificou estruturas financeiras complexas usadas para ocultar patrimônio ilícito, enquanto a Carbono Oculto foi considerada pela Receita Federal como a maior operação conjunta já realizada contra o crime organizado no país.

Por meio da operação Carbono Oculto, deflagrada pela Receita e outros órgãos, descobriu-se que facção criminosa paulista usou mais de mil postos de combustíveis para movimentar R$ 52 bilhões de 2020 a 2024. O grupo se valia de fintechs, que operavam como bancos, e de pelo menos 40 fundos de investimentos para ocultar patrimônio. 

Em entrevista coletiva, os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça) e Fernando Haddad (Fazenda) reforçaram a importância da articulação entre órgãos federais e estaduais. “É uma das maiores operações em termos mundiais, graças ao entrosamento da PF, Receita Federal e Ministérios Públicos de vários estados”, afirmou Lewandowski.

A operação reacende o debate sobre a criação de uma agência antimáfia nacional, proposta pelo Ministério Público de São Paulo, mas que enfrenta resistência dentro da própria Polícia Federal.

O impacto da operação no Paraná evidencia a necessidade de reforço nas políticas de fiscalização e combate à lavagem de dinheiro, especialmente em setores como combustíveis e serviços financeiros. A expectativa é que os desdobramentos judiciais avancem nas próximas semanas, com novas denúncias e aprofundamento das investigações.


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