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Postado dia 25/08/2025 às 23:04:27

Maringá e o Festival Medieval: cultura ou exclusão?

A Prefeitura de Maringá, sob gestão de Silvio Barros (PP), tem adotado uma política cultural que levanta sérias críticas por parte da população e dos artistas locais. Enquanto eventos populares tradicionais como a Feira Literária Internacional de Maringá (Flim), o Festival Afro-Brasileiro e a Semana do Hip Hop seguem sem definição ou apoio concreto, a administração municipal investe em um projeto elitista: a criação de um Festival Medieval.

A proposta, realizada em parceria com entidades empresariais e culturais, foi testada em um espaço privado - o Eurogarden - e inspirada em festivais realizados em Portugal. O evento, que celebra um período histórico marcado por atraso político e científico, além da escravização e pilhagem colonial, está previsto para ocorrer entre 6 e 8 de novembro de 2026, justamente durante o “Novembro Negro”, mês dedicado à luta do movimento negro por reparação histórica.

Além da escolha simbólica controversa, o uso de recursos públicos para fomentar um evento em área privada e voltado à elite local escancara uma política segregacionista. A transferência de eventos populares para locais afastados e fechados, como o Pavilhão Azul do Parque de Exposições Feio Ribeiro, e não utilizndo o espaço da Vila Olímpica, por exemplo, dificulta o acesso da população trabalhadora e exclui quem consome e vive da cultura popular.

A crítica central é clara: Maringá não precisa de um festival que exalte valores hierárquicos e antidemocráticos. Precisa, sim, de políticas culturais inclusivas, que valorizem a diversidade e garantam acesso amplo à arte e à cultura. A cultura não pode ser tratada como mercadoria - ela é um direito, e deve ser decidida pela população que a sustenta com seus impostos.


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