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Postado dia 12/08/2025 às 12:57:07
Do interior do Paraná, rede de farmácia alcança o topo - e o centro da corrupção nacional
O Paraná, conhecido por sua força no agronegócio e na indústria, também se destaca como um dos polos mais vibrantes do varejo farmacêutico brasileiro. Com 7.253 estabelecimentos, sendo 1.060 apenas na capital Curitiba, o estado abriga uma rede diversificada de farmácias, majoritariamente micro e pequenas empresas que sustentam a saúde da população e a economia local.
Mas entre tantas histórias de empreendedorismo, uma trajetória se destaca — e agora, também escandaliza.
De Nova Olímpia para o Brasil
Foi na pequena cidade de Nova Olímpia, no interior paranaense, que Sidney Oliveira começou sua jornada no setor farmacêutico. Aos 9 anos, já trabalhava em uma farmácia local. Nos anos 1980, construiu uma rede de 12 farmácias, que vendeu para financiar sua mudança para São Paulo. Lá, fundou a Drogavida em 1998, e dois anos depois, a Ultrafarma, que revolucionaria o mercado com preços agressivos e foco em medicamentos genéricos.
A Ultrafarma cresceu com uma estratégia ousada: uma única loja física, mas presença nacional via e-commerce e televendas. A marca se tornou sinônimo de medicamentos acessíveis e popularizou a figura de Sidney Oliveira como um dos rostos mais conhecidos da propaganda farmacêutica.
Hoje, a empresa tem faturamento estimado em R$ 3 bilhões, e sua linha de suplementos “Sidney Oliveira” é vendida até em marketplaces internacionais.
O poder farmacêutico paranaense
Enquanto a Ultrafarma se expandia nacionalmente, o Paraná consolidava suas próprias gigantes. A Drogarias Nissei, com sede em Curitiba, é a maior rede do estado, com mais de 470 unidades e faturamento superior a R$ 1,3 bilhão apenas no território paranaense. Nacionalmente, ocupa a 7ª posição entre as maiores redes do Brasil.
Outras redes regionais como Vale Verde, Fleming, Brava e Farmácias São Paulo também mantêm forte presença, especialmente nas cidades do interior.
Da ascensão ao escândalo
Na manhã desta terça-feira (12), Sidney Oliveira foi preso em uma operação do Ministério Público de São Paulo, batizada de Operação Ícaro, que investiga um esquema bilionário de corrupção fiscal. Segundo o MP, o empresário teria participado de um grupo criminoso que manipulava processos administrativos para facilitar a quitação de créditos tributários em troca de propinas mensais, pagas por meio de empresas de fachada
O fiscal envolvido no esquema teria recebido mais de R$ 1 bilhão em propina desde 2021. Sidney foi detido em uma chácara em Santa Isabel, na Grande São Paulo. A Ultrafarma ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso.
Um legado em xeque
A prisão de Sidney Oliveira lança uma sombra sobre uma das histórias mais emblemáticas do varejo farmacêutico brasileiro. De menino do interior a bilionário do setor, sua trajetória sempre foi marcada por ousadia, inovação e controvérsia. Agora, o futuro da Ultrafarma — e de seu fundador — está nas mãos da Justiça.




