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Postado dia 10/07/2025 às 16:29:32

O cadeado no papel higiênico e o reflexo da política

A imagem do rolo de papel higiênico trancado em um banheiro público, em cidade do interior paulista, pode parecer banal, mas revela algo profundo: não confiamos nem no uso coletivo de um item básico. E se esse nível de desconfiança já se instalou no cotidiano, como confiar em políticos que administram milhões e bilhões em recursos públicos?

Esse rolo acorrentado denuncia uma falência ética: o desrespeito ao que é público. O ato de levar algo que deveria estar disponível a todos mostra como o individualismo compromete o coletivo. Aí então que mora o paradoxo — políticos surgem da sociedade que os elege. Se há tolerância com pequenas infrações, abre-se espaço para justificar desvios em escalas maiores.

A corrupção institucionalizada não começa no Congresso, mas nas pequenas transgressões do dia a dia, nos valores relativizados e no jeitinho aceito sem crítica. Cadeados em banheiros públicos são apenas o sintoma visível de uma doença moral mais profunda.

O problema não é só político — é cultural. Se queremos líderes honestos, precisamos antes repensar os valores que praticamos na base. Porque a política não nasce em Brasília. Ela nasce em gestos cotidianos. E talvez, antes de mudar o sistema, seja preciso mudar o espelho.


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