Política

Postado dia 07/10/2026 às 10:48:31

Eleitores escolheram candidatos que têm lado

As eleições gerais de 2026 no Brasil foram marcadas por uma tendência clara: o eleitor escolheu quem tem lado. Não é que a política tenha virado assunto sério de uma hora para outra, mas ela simplesmente deixou de aceitar quem não tenha alguma relação prévia com a política ou com um campo político específico.

A lista dos mais votados em São Paulo é a prova disso. Ela é puxada por Lucas Pavanato (PL), um vereador engajadíssimo na pauta bolsonarista, e outros quatro parlamentares reeleitos que fizeram dos mandatos uma trincheira das ideias que acreditam e mantiveram conexão diária com seus eleitores pelas redes sociais: Erika Hilton (PSOL), Sâmia Bomfim (PSOL), Kim Kataguiri (Missão) e Tabata Amaral (PSB). Embora de campos ideológicos distantes, o quinteto tem algo em comum: um lado claro na briga. Goste-se ou não.

Na Bahia, o PT manteve sua hegemonia histórica. Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito governador em primeiro turno com 55,41% dos votos. Para o Senado, o partido elegeu seus dois candidatos: Rui Costa (PT), com cerca de 30% dos votos, e Jaques Wagner (PT), com 27,6%, garantindo a continuidade da bancada petista no estado. O resultado confirma a força da sigla no Nordeste e a fidelidade do eleitor baiano ao campo político liderado pelo presidente Lula.

No Paraná, estado que não tem tradição em votar no PT, o cenário foi completamente diferente. O bolsonarismo dominou a disputa. Sergio Moro (PL) foi eleito governador em primeiro turno com 50,11% dos votos. Para o Senado, os dois eleitos também são ligados ao campo bolsonarista: Filipe Barros (PL), com 27,35%, e Deltan Dallagnol (Novo), com 25,26%. A vitória expressiva de Moro e dos dois senadores mostra que o eleitor paranaense optou por um lado claramente definido, rejeitando a neutralidade e consolidando a influência do bolsonarismo no Sul do país.

Em Santa Catarina, o cenário não foi diferente. O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, dominou completamente a disputa. Jorginho Mello (PL) foi reeleito governador em primeiro turno com 68,98% dos votos. Para o Senado, os dois eleitos são ligados ao bolsonarismo: Carol de Toni (PL), com 33,46%, e Carlos Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, com 25,35%. A vitória de Carlos Bolsonaro em Santa Catarina é especialmente simbólica, pois representa a expansão da influência da família Bolsonaro para além do Rio de Janeiro. Na Câmara Federal, a deputada mais votada do estado foi Julia Zanatta (PL), com 560.223 votos, a terceira mais votada do Brasil.

Em Minas Gerais, a disputa foi mais equilibrada. Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito governador com 55,41% dos votos, mas a eleição para o Senado revelou uma divisão clara no eleitorado mineiro. Domingos Sávio (PL) foi eleito com cerca de 24,3% dos votos, enquanto Marília Campos (PT) garantiu a outra vaga com aproximadamente 19,4%. O resultado em Minas, um dos maiores colégios eleitorais do país, reflete a polarização nacional: um senador para cada lado, em um estado que tradicionalmente oscila entre diferentes campos políticos.

No restante do país, a tônica foi a mesma. O PT e o PL elegeram as maiores bancadas na Câmara dos Deputados, consolidando a polarização entre os dois campos. Em São Paulo, o maior estado, a lista dos mais votados para deputado federal foi liderada por Lucas Pavanato (PL), seguido por Erika Hilton (PSOL), Sâmia Bomfim (PSOL), Kim Kataguiri (Missão) e Tabata Amaral (PSB). Todos eles têm em comum o fato de serem parlamentares reeleitos que mantiveram uma conexão diária com seus eleitores e defenderam com clareza suas posições ideológicas.

No plano nacional, os 20 deputados federais mais votados do Brasil em 2026 foram: Nikolas Ferreira (PL-MG), com 3.119.318 votos; Lucas Pavanato (PL-SP), com 3.038.438 votos; Erika Hilton (PSOL-SP), com 1.596.472 votos; André Fernandes (PL-CE), com 684.372 votos; Sâmia Bomfim (PSOL-SP), com 583.107 votos; Julia Zanatta (PL-SC), com 560.223 votos; Ana Elisa (PT-MG), com 524.219 votos; Kim Kataguiri (Missão-SP), com 520.071 votos; Tabata Amaral (PSB-SP), com 476.383 votos; Jeffrey Chiquini (Novo-PR), com 425.399 votos; Lucas Polese (PL-ES), com 419.735 votos; Delegado Caveira (PL-PA), com 414.927 votos; Maurício Marcon (PL-RS), com 379.834 votos; Renato Bolsonaro (PL-SP), com 379.312 votos; Sargento Nantes (PP-SP), com 333.401 votos; Jader Filho (MDB-PA), com 326.617 votos; Delegado Palumbo (PODE-SP), com 303.271 votos; Fernanda Melchionna (PSOL-RS), com 280.262 votos; Guilherme Cortez (PSOL-SP), com 275.450 votos; e Dra. Alessandra Haber (PODE-PA), com 272.856 votos. A lista é dominada por candidatos de campos políticos claramente definidos, com destaque para o PL, que ocupa a maioria das posições, e o PSOL, que representa a esquerda com maior votação.

A lição que fica para 2026 é que, em um cenário de guerra política, mais importante do que eleger os seus é evitar a vitória do inimigo, e o eleitor brasileiro deixou claro que não aceita mais quem tenta ficar em cima do muro.


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