Política

Postado dia 30/03/2026 às 21:04:56

Munhoz da Rocha, pai e filho, na história política do Paraná

A trajetória de Caetano Munhoz da Rocha e de seu filho Bento Munhoz da Rocha revela duas fases distintas da política paranaense e nacional. O primeiro representou a República Velha, marcada pela política oligárquica e pela influência local. Já o segundo simbolizou a transição para uma política mais institucionalizada, voltada ao desenvolvimento e à modernização, em um Brasil que buscava consolidar sua democracia após o Estado Novo. Juntos, pai e filho deixaram uma marca duradoura na história do Paraná, tanto pela continuidade familiar quanto pela influência em diferentes momentos da vida pública brasileira.

Caetano Munhoz da Rocha nasceu em Antonina, no litoral paranaense, em 14 de maio de 1879. Formou-se médico pela Faculdade Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro, em 1902, e iniciou sua carreira política como deputado estadual em 1904. Foi prefeito de Paranaguá em dois mandatos consecutivos, antes de alcançar o posto máximo da política estadual. Entre 1920 e 1928, governou o Paraná como presidente do estado — denominação usada na República Velha para o cargo de governador. Após deixar o governo, foi senador até 1930. Faleceu em Curitiba, em 23 de abril de 1944, sendo lembrado como um líder ligado às oligarquias regionais, em um período marcado pela política dos coronéis e pela forte autonomia estadual.

Seu filho, Bento Munhoz da Rocha Neto, nasceu em Paranaguá em 17 de dezembro de 1905. Seguiu carreira distinta da do pai, formando-se advogado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Ingressou na política como deputado federal em 1935, mas teve o mandato interrompido pelo Estado Novo. Após a redemocratização, foi ministro da Agricultura entre 1946 e 1950, até ser eleito governador do Paraná em 1951. Seu governo, que durou até 1955, destacou-se pela modernização administrativa, pelo incentivo à educação e pela consolidação da Universidade Federal do Paraná. Também investiu em infraestrutura e cultura, projetando o estado em um momento de reconstrução democrática no Brasil. Bento faleceu em Curitiba, em 12 de novembro de 1978.

Assim, a história dos Munhoz da Rocha não apenas evidencia a força de uma família na política estadual, mas também espelha os diferentes contextos nacionais em que atuaram. Caetano foi expressão da República Velha e de suas estruturas oligárquicas, enquanto Bento representou a modernização e a busca por institucionalidade em meio à redemocratização. Ambos, cada um a seu tempo, ajudaram a moldar o Paraná e a inserir o estado nos debates centrais da política brasileira.


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