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Política
Postado dia 28/03/2026 às 16:08:30
Por que sou contra o fim da jornada 6x1, por enquanto
A proposta de redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, que extinguiria a escala 6x1, divide especialistas. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estimam que a mudança pode elevar os custos com empregados formais entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano, devido à necessidade de contratações extras para manter a produção. Pequenos e médios negócios, que operam com margens apertadas, seriam os mais impactados, podendo levar à redução de contratações ou ao aumento da informalidade.
Por outro lado, defensores da mudança apontam benefícios claros, como melhora da qualidade de vida, redução do estresse e maior produtividade por hora trabalhada. Países como Islândia, Japão, Espanha e Alemanha obtiveram resultados positivos ao reduzir jornadas, mas contavam com produtividade média mais alta, ampla automação e forte proteção social – cenário ainda distante da realidade brasileira.
O problema central no Brasil é a baixa produtividade aliada à desigualdade estrutural. Enquanto na Europa a redução da jornada veio acompanhada de tecnologia e reorganização dos processos, aqui há forte cultura de horas extras (que muitas vezes complementam a renda) e setores inteiros sem capacidade de investimento imediato. Uma mudança abrupta poderia gerar o efeito oposto, com menos vagas formais e mais trabalhadores no mercado de aplicativos, sem os mesmos direitos.
Por isso, mais do que um “sim” ou “não” radical, a transição precisa ser gradual e setorizada. Começar por segmentos com maior produtividade e capacidade de inovação, combinando redução de jornada com modernização tecnológica, qualificação e negociação coletiva. Assim, evita-se o choque nos custos e constrói-se um caminho sustentável, sem que o direito vire fonte de precarização.




