São Jerônimo da Serra

Postado dia 27/06/2013

E surgia São Jerônimo, no meio da floresta luxuriante

do Repórter da História Rio Tibagi

A origem de São Jerônimo, a segunda povoação mais avançada no sertão depois da vila do Tibagi, se deve a Joaquim Francisco Lopes e John Henry Elliott que, com 30 homens,  chegaram à Serra dos Agudos em 20 de novembro de 1846. Do ponto mais alto  que atingiram, avistaram dois campos no meio da floresta, um a 28 milhas a nordeste – cerca  de 45 quilômetros –, que escolheram para o futuro povoado.         

Em sentido oposto, o outro campo viria a se chamar Inhô-Ó, mais tarde a imensa fazenda da qual uma parte é hoje o distrito de Terra Nova. Lopes e Elliott tomaram posse de quase todo o nordeste à margem direita do Tibagi em nome do Barão de Antonina.         

Inicialmente chamado São Tomás de Papanduva, o vilarejo se firma em 1854 e só em 1870 se denomina São Jerônimo, ao ser erigida a capela em louvor, por frei Luís de Cimitille. A referência mais conhecida, porém, será “Aldeamento de São Jerônimo”, por causa da reserva indígena contígua.         

Comprovante é o livro de registro de nascimentos aberto em 22 de abril de 1876, assinado pelo o vereador Salvador Baptista Ribeiro, em nome da Câmara Municipal de Tibagi. Apesar de específico para o “aldeamento”, o livro não contém registro de índios, só de brancos moradores no vilarejo a seis quilômetros. “No Aldeamento de São Jerônimo, distrito e município de Tibagi, registra-se o nascimento...” — O precioso livro se encontra no cartório cível do Fórum de São Jerônimo da Serra.         

Na vila do Tibagi em 1874, Bigg-Wither calculou  que a 70 milhas em linha reta, à sua frente, erguiam-se os dois picos culminantes da serrania. “Tão clara estava a atmosfera (…) que julguei poder distinguir, com o binóculo, as árvores isoladas no cume”,  anotou. Naturalmente um tanto exagerado para reforçar a figuração à distância do que ia constatar. Geologicamente,  uma só cordilheira, a Serra dos Agudos, que “atravessa quase em ângulo reto o Vale do Tibagi, continuando do outro lado  com o nome Serra da Apucarana”, descreve-a, baseado em mapas da época. O caminho que percorreu, guiado por Telêmaco Borba, seria trecho da Estrada do Cerne, para carroças e automóveis um século depois.           

“Nas últimas horas da tarde de nosso sétimo dia depois de sair do Tibagi, avistamos a pequena vila de São Jerônimo, isolada num campo aberto que, inexplicavelmente, surge ali, desprotegida e deserta, no meio de uma floresta luxuriante.” Frei Luís de Cimitille, diretor do aldeamento indígena, lhes informa sobre a presença de Elliott. E Bigg-Wither o conhece e ouve histórias de aventuras “nos grandes sertões interceptados ao contato do homem civilizado e, por vezes, cercados por índios hostis”.         

O “império da posse”e o avanço do Barão                  

Com o término, em 1822, das concessões de sesmarias, vastas extensões a quem as requeresse, começa o período de 28 anos sem nenhuma regulamentação, conhecido por “império da posse”. É dono quem chega primeiro. E João da Silva Machado, Barão de Antonina, se converte no maior latifundiário da 5.ª Comarca de São Paulo, futura província do Paraná.         

“Não houve região alguma da comarca vastíssima onde Silva Machado não registrasse posse de terra escolhida entre as melhores”, segundo Romário Martins. Pela Lei n.º 601, de 18 de setembro de 1850, o governo imperial  reconhece as posses. Em 10 de junho de 1859 há uma solenidade no Ministério dos Negócios do Império, no Rio de Janeiro: o Barão de Antonina “doa” ao governo a Fazenda São Jerônimo, de 14 mil alqueires, para uma reserva indígena, que se oficializa em 27 daquele mês.         

A Província do Paraná fora instalada em 1853 e o seu primeiro presidente, Zacarias de Góes e Vasconcellos, proclamara que os índios eram “uma desgraça”, por impedirem a entrada de outros interessados na terra. Precedendo o Aldeamento de São Jerônimo, fundara-se o de São Pedro de Alcântara em 1855, na margem direita do Tibagi, em frente à Colônia Militar de Jataí.  

 


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