Norte do Paraná

Postado dia 02/03/2026 às 10:32:00

Fraude atinge governo Ratinho Jr por rombo de R$ 130 milhões na venda da Sercomtel

A história da Sercomtel com o governo do Paraná começa em maio de 1998, quando a Copel, estatal paranaense, adquiriu 45% das ações da operadora londrinense por R$ 186 milhões — um negócio realizado sem concorrência pública e articulado entre o então governador Jaime Lerner e o prefeito Antônio Belinati. O montante, que hoje equivaleria a mais de R$ 1 bilhão, nunca chegou aos cofres da prefeitura e levou à cassação e prisão de Belinati pelo Ministério Público do Paraná, em um dos maiores escândalos políticos do estado . Agora, mais de duas décadas depois, a venda da fatia restante da empresa coloca novamente o governo estadual sob suspeita.

Em agosto de 2020, a Prefeitura de Londrina, então comandada por Marcelo Belinati (PSD) — sobrinho do ex-prefeito cassado —, realizou o leilão de privatização do controle da Sercomtel. O Fundo Bordeaux, ligado ao empresário carioca Nelson Tanure, arrematou a operadora por cerca de R$ 130 milhões, com a promessa de capitalizar a empresa . A Copel, que ainda detinha seus 45% de participação, embolsou menos de R$ 2 milhões com a venda — um prejuízo bilionário em valores corrigidos. Três meses depois, em 9 de novembro de 2020, o mesmo Fundo Bordeaux venceu outro certame: a venda da Copel Telecom, braço de telecomunicações da estatal, por R$ 2,395 bilhões, em leilão na B3 .

Hoje, a Controladoria Geral da Prefeitura de Londrina investiga se os R$ 130 milhões pagos pelo Fundo Bordeaux pela Sercomtel nunca entraram efetivamente no caixa da empresa. Suspeita-se que o valor entrou via Banco Master em um dia e saiu no outro, convertido em aplicações em fundos e CDBs da própria instituição financeira — uma movimentação "apenas contábil e artificial", que pode anular o negócio realizado na Bovespa. A Sercomtel, que já teve seus ativos transferidos para outros CNPJs do grupo Ligga Telecom, opera hoje com prédios vazios, sem colaboradores e sem receita, e acumula uma dívida de ICMS com o estado superior a R$ 34 milhões.

O governador Ratinho Junior (PSD), que comemorou a venda da Copel Telecom em 2020 como um marco de sua gestão e prometeu investir os recursos em energia, agora vê o mesmo comprador — Nelson Tanure e seu Fundo Bordeaux — no centro de uma suspeita de fraude que atinge uma empresa da qual o estado era sócio há 22 anos . A Ligga, formada a partir da fusão da Copel Telecom com a Sercomtel, patrocinava suas aplicações no Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025 .

Na Câmara de Londrina, ex-funcionários articulam uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) e cobram investigação do Ministério Público do Paraná. O temor nos corredores do poder é que o imbróglio do Banco Master e da Sercomtel frustre as pretensões eleitorais de Marcelo Belinati ao Palácio Iguaçu e exponha a fragilidade da fiscalização exercida pelo governo estadual — afinal, o mesmo grupo que comprou a Copel Telecom em 2020 agora vê seus ativos paranaenses sob suspeita de terem sido financiados por um banco que desabou, deixando um rastro de prejuízos que, mais uma vez, pode respingar nos cofres públicos.


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