Norte do Paraná

Postado dia 10/01/2019 às 01:30:55

Empresas incluem colaboradores e pessoas de fora no seu processo de inovação

As empresas e instituições estão abrindo suas empresas para a inovação. O processo, chamado de inovação aberta, começa a se tornar popular em Londrina. Cocamar, Unimed, Embrapa e até a Prefeitura de Londrina são alguns exemplos de instituições que já aderiram ao conceito. 

Segundo Lucas Ferreira, gestor estratégico de Startup do Sebrae/PR, no conceito de inovação aberta, as empresas buscam implantar inovações com a colaboração tanto dos próprios funcionários quanto de parceiros externos, como startups, outras empresas ou instituições. 

"É bem comum também a inovação aberta entre empresa e mercado. As empresas estimulam que startups ou outras empresas pensem nos problemas ou nas rotinas dessa empresa para que elas possam sugerir melhorias ou desenvolver soluções para os seus gargalos", explica Ferreira. 

Na sua avaliação, esse modelo está se tornando mais comum hoje porque a inovação aberta reduz os riscos de implantação de processos de inovação. "Como a inovação aberta acaba trabalhando de forma colaborativa, não necessariamente vai dedicar todos os esforços de pessoal, de recursos para melhoria de um processo, criação de um novo produto." O gestor ressalta que o Sebrae atua criando conexões e gerando estímulos para que esse processo aconteça nas empresas. 

A Unimed lançou no início de 2018 um Programa de Inovação aberto a todos os seus colaboradores. A ideia é promover a cultura de inovação dentro da empresa, incentivando os colaboradores a proporem ideias inovadoras com foco no aumento de receita, redução de despesas administrativos ou custos assistenciais. 

As ideias podem ser submetidas pela intranet e passam pela avaliação de um Comitê de Inovação. Aquelas que são aprovadas têm de ser implantadas pelo colaborador que propôs, com a ajuda de um time escalado por ele mesmo. O time ganha incentivo financeiro - R$ 500 reais e 5% dos resultados financeiros gerados no período de seis meses com limite de R$ 10 mil. "Tem também o estímulo não financeiro para promover a cultura de inovação. O colaborador é apresentado na intranet e vai para o quadro dos idealizadores." Esse ano, a cooperativa quer comemorar um ano do projeto e, na ocasião, os colaboradores também serão convidados a apresentar seus projetos. 

Segundo André Galletti, gestor de Planejamento e Desenvolvimento da Unimed Londrina, a cooperativa já teve mais de R$ 400 mil de retorno com as ideias lançadas pelos colaboradores. Mais de 70 já foram apresentadas e, dessas, 19 estão implantadas ou em implantação. Para Galletti, a vantagem da inovação aberta é poder contar com pessoas com perspectivas diferentes para a solução de algum problema. "Um olhar diferente pode dar uma projeção que quem está dentro não consegue ver." Para 2019, a cooperativa pretende expandir o projeto, incluindo também as ideias dos clientes nos seus processos de inovação. 

HACKATON 

Em dezembro do ano passado, a Cocamar realizou um hackathon no Ceep (Centro Estadual de Educação Profissional) Professora Maria Lydia Cescato Bomtempo, escola técnica estadual localizada em Assaí. O objetivo era buscar junto aos alunos sugestões para gargalos do processo produtivo da unidade de recebimento de grãos da cooperativa na cidade. Os alunos tinham que se basear em desafios propostos pela Cocamar para desenvolver as soluções. A maioria tinha relação com problemas comuns nas unidades das cooperativas, como o controle do fluxo e o transporte dos grãos, o acúmulo e a exaustão dos resíduos no processo. 

As três equipes vencedoras visitarão a estrutura do sistema Fiep de Inovação, e os membros da equipe vencedora ganharam um curso de liderança de projetos. O coordenador dos cursos do Ceep, Paulo Stachuk, avalia que o hackathon também trouxe benefícios aos alunos, que puderam ter contato com profissionais da cooperativa e com problemas reais do mercado e colocar em prática o aprendizado do curso. O evento também representou uma grande articulação do setor, já que também envolveu o Sebrae, BrasilNet, Smart Value Investment, Fiep e o Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina. 

Na ocasião, o ex-secretário estadual de Agricultura, George Hiraiwa, considerou inédita a iniciativa da Cocamar. "Enxergo as cooperativas como grandes validadores das startups. As cooperativas também podem ajudar os cooperados a ver como as startups podem ser úteis para a busca da eficiência dentro de cada perfil."

por Mie Francine Chiba, da Folha de Londrina


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