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Postado dia 03/09/2015 às 15:55:00

Ministério Público apura denúncia de erro médico em Cambará

O Ministério Público de Cambará determinou a abertura de inquérito para investigar denúncia de suposto erro médico e negligência de atendimento que teriam ocasionado a morte da operadora de máquina Maria de Fátima do Carmo, de 45 anos, no dia 13 de julho. A notificação formal foi movida pelo marido da vítima, o profissional autônomo Claudemir da Silva, de 48. "Não vou ter a minha esposa de volta, mas tomei a decisão de fazer isso para que outras pessoas não venham passar pela mesma situação horrível que enfrentei", desabafa. A vítima deixa um filho de 16 anos.

Segundo ele, sua esposa deu entrada na Santa Casa de Misericórdia de Cambará, no dia 13 de julho, reclamando de falta de ar e dores na perna direita. Em consulta particular, o clínico geral Antonio Mano Filho teria atestado que a pressão de Maria de Fátima estaria normal, embora o coração estivesse acelerado. O médico prescreveu a ingestão de dois comprimidos e solicitou exames de eletroencefalograma e raio-X do tórax. Depois de receber os resultados dos exames, ele decidiu por interná-la para que ficasse em observação enquanto recebia medicação por soro. "Achei estranho que fosse o caso de internação, mas fui rapidamente para casa pegar alguns itens de higiene pessoal para ela. Quando voltei, por volta das 16 horas, ela gritava de dor pelo corpo todo, estava no oxigênio, com o corpo gelado, e havia evacuado e urinado na roupa", lembra.

Ainda conforme informações de Silva, às 16h30 o médico teria pedido para interromper a medicação do soro e mandado fazer lavagem intestinal para "desintoxicar" a paciente. Além disso, o clínico geral teria solicitado a ambulância do município para encaminhá-la para a unidade de tratamento cardíaco especializado de um hospital em Ourinhos (SP). "O pedido foi feito por volta das 17 horas e a ambulância só chegou às 19h20. Mal ela saiu do hospital, acabou falecendo devido à parada cardíaca, conforme atesta o óbito", relata Silva. "Acho que as duas situações ocasionaram a morte dela: o medicamento que tomou no soro e a demora no atendimento da ambulância. É estranho aceitar que uma pessoa que estava bem, nunca teve problemas do coração, possa ter morrido dessa forma", acrescenta.

Segundo o promotor de justiça Marcel Alexandre Coelho, que requereu a abertura do inquérito policial sobre o caso, ainda é prematuro tirar alguma conclusão sobre o ocorrido, mas adiantou que chegou a solicitar do Centro de Apoio às Promotorias de Proteção à Saúde Pública, em Curitiba, se haveria necessidade de pedir a exumação do corpo. "É um caso complexo, que exige várias diligências, e estimo que a conclusão deva demorar seis meses. No prontuário, o suposto medicamento colocado no soro é o Propranolol, utilizado para controle de pressão. O médico é bastante experiente e este é o primeiro caso de denúncia envolvendo o seu nome", informa. Ele também reforçou que é um direito de qualquer paciente solicitar a ambulância pública mesmo que ele tenha sido atendido inicialmente no sistema particular.

O delegado Richard Alain Lolli disse que já deu início à tomada de depoimentos de alguns dos envolvidos no caso para poder apurar se existe penalidade criminal e indiciamento de responsabilidade. "É possível que surjam novas testemunhas e seja preciso requisitar exames periciais, como a exumação do corpo, que podem demandar a prorrogação da conclusão do inquérito, mas espero concluir o processo o mais rápido possível", pontua.

A secretária municipal de Saúde, Jaciane de Lourdes Lobrigatte Manfrin Ribeiro, confirmou que o atendimento da ambulância municipal foi solicitada às 17 horas, mas devido à falta de ambulância disponível no momento, só foi possível atender a demanda às "18h15", conforme nota de esclarecimento enviada por e-mail. Segundo a secretária, o município dispõe apenas de duas ambulâncias com condições de uso para realizar transferência com equipe médica e as duas estariam prestando atendimento ao Pronto Socorro/Hospital Municipal e Ambulatório no momento da solicitação. De acordo com a secretária, a família da vítima também teria solicitado uma ambulância da Unimed, que devido à trâmites burocráticos não teria atendido à solicitação (segundo Silva, marido da vítima, a modalidade do plano de saúde deles não inclui o serviço de ambulância).

"Não tenho dúvidas que a Secretaria de Saúde não mediu esforços para atender a solicitação de transferência (..). O tempo que a ambulância levou para atender a solicitação não interferiu diretamente no óbito, visto que não se transfere pacientes instáveis, devido ao risco. Uma situação é necessitar de transporte pré-hospitalar, outra é necessitar de transferência de um ambiente hospitalar para um hospital especializado (alta complexidade)", afirma a secretária, em nota.

A FOLHA entrou em contato, por telefone, com a secretária do médico Antonio Mano Filho, mas ele não retornou as ligações até o fechamento da edição.

por Ana Paula Nascimento, da Folha de Londrina


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