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Quando a religião é ópio do povo Imprimir E-mail
segunda, 08 de fevereiro de 2010

Image O comunista e ateu Karl Mark já dizia que “a religião é o ópio do povo”.

Em tempos modernos, aquele pensador continua ainda tendo certa razão, principalmente em relação à vida em sociedade.

Na Europa feudal, quando a religião se confundia com a figura do Estado, o governante autoritário pregava que sua indicação havia sido ordenada por Deus, de forma a justificar seu poder de repressão em direção às massas.

No mundo dividido entre judeus e palestinos, na Faixa de Gaza e adjacências, homens, mulheres e crianças têm sido mortos covardemente. Afirmando que “Alá está conosco”, aqueles líderes empurram seus heróis anônimos para a guerra, com interesses tão somente econômicos e políticos.

ImageEm nome do mesmo Socorro que Vem do Alto, impérios pessoais, empresariais e econômicos têm sido erguidos com o dinheiro do povo. O discurso versando sobre provações na vida dos fiéis, seu desprendimento em relação a bens materiais, ajuda a fundamentar a prática verificada de ricos dirigentes eclesiásticos e, de outro lado, uma massa manipulada e enganada, com poucos recursos.

A mesma fé que deveria unir os povos, assentados na mesma doutrina religiosa, acaba por separar, criando ainda inúmeros e virulentos conflitos. Não tem sido imagem diferente (um pouco distorcida e exagerada) que nos vem da Irlanda do Norte, em função da guerra travada entre católicos e protestantes.

A mesma separação pregada por aqueles que se julgam como participantes da religião verdadeira também acabam contaminando os relacionamentos e a vida em sociedade. Cria-se então um gueto, onde envolvimento pessoal (namoro, noivado e casamento) deve acontecer somente entre irmãos da mesma fé.

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Mattheus Hermanny, editor do Revelia
Nesse sentido, Karl Marx, ateu e descendente de rabino judeu, tinha certa razão ao defender a religião como ópio do povo. Da mesma forma que o ópio – cujos alcalóides do ópio são: a morfina, a codeína, a tebaína, a papaverina, a narcotina e a narceína -, também a religião pode causar euforia, dependência física, seguida de decadência física e intelectual, levando inclusive à morte.

Entre proibição do consumo e de importação, por causa do ópio também Grã-Bretanha e China declararam guerra no período entre 1839 e 1860. Já a guerra por causa de religião tem acontecido de várias maneiras, ao longo dos séculos, anos e dias de nosso tempo.

Enquanto droga (feito ópio extraído dos frutos imaturos de várias espécies de papoulas), a religião tem ainda o poder de tornar melhores os cristãos, fazendo com que os instintos naturais e animais dêem lugar à verdadeira personalidade, comportando-se então de acordo com regras de convivência, de vida em sociedade e de sua índole cristã (estamos aqui diante do superego).

ImageNo que se refere à utilização de alguma droga (ou medicamento) deve-se buscar o equilíbrio, pois, caso contrário, aquilo pode se transformar em veneno. Isso vale para a religião, uma vez que todas as denominações tentam fazer do homem um ser melhor, voltado para o bem. Mas há que encontrar então um ponto de equilíbrio.

Se a religião é o ópio do povo, e isso pode ser bom, se utilizado como medicamento para curar as dores do corpo e da alma, há então que se evitar o exagero, o extremismo e fanatismo da religião que divide, separa – e nos mata, inclusive.

Mattheus Hermanny, 38, é professor, poeta, escritor e editor do portal Revelia

 

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