| Quando a religião é ópio do povo |
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| segunda, 08 de fevereiro de 2010 | |||||||||
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Em tempos modernos, aquele pensador continua ainda tendo certa razão, principalmente em relação à vida em sociedade. Na Europa feudal, quando a religião se confundia com a figura do Estado, o governante autoritário pregava que sua indicação havia sido ordenada por Deus, de forma a justificar seu poder de repressão em direção às massas. No mundo dividido entre judeus e palestinos, na Faixa de Gaza e adjacências, homens, mulheres e crianças têm sido mortos covardemente. Afirmando que “Alá está conosco”, aqueles líderes empurram seus heróis anônimos para a guerra, com interesses tão somente econômicos e políticos.
A mesma fé que deveria unir os povos, assentados na mesma doutrina religiosa, acaba por separar, criando ainda inúmeros e virulentos conflitos. Não tem sido imagem diferente (um pouco distorcida e exagerada) que nos vem da Irlanda do Norte, em função da guerra travada entre católicos e protestantes. A mesma separação pregada por aqueles que se julgam como participantes da religião verdadeira também acabam contaminando os relacionamentos e a vida em sociedade. Cria-se então um gueto, onde envolvimento pessoal (namoro, noivado e casamento) deve acontecer somente entre irmãos da mesma fé.
Entre proibição do consumo e de importação, por causa do ópio também Grã-Bretanha e China declararam guerra no período entre 1839 e 1860. Já a guerra por causa de religião tem acontecido de várias maneiras, ao longo dos séculos, anos e dias de nosso tempo. Enquanto droga (feito ópio extraído dos frutos imaturos de várias espécies de papoulas), a religião tem ainda o poder de tornar melhores os cristãos, fazendo com que os instintos naturais e animais dêem lugar à verdadeira personalidade, comportando-se então de acordo com regras de convivência, de vida em sociedade e de sua índole cristã (estamos aqui diante do superego).
Se a religião é o ópio do povo, e isso pode ser bom, se utilizado como medicamento para curar as dores do corpo e da alma, há então que se evitar o exagero, o extremismo e fanatismo da religião que divide, separa – e nos mata, inclusive. Mattheus Hermanny, 38, é professor, poeta, escritor e editor do portal Revelia
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